domingo, 5 de abril de 2009

Da Ilha Graciosa à Ilha de Santa Catarina

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Por Roberto Sandoval rlavodnas@hotmail.com ou rlavodnas@gmail.com

Introdução

“A Graciosa prende e seduz o visitante pela sua paisagem feita de planuras , montes arredondados cobertos de árvores , vinhas entre paredes de pedra escura , o reticulado dos campos de cultivo , a presença constante do azul do mar. E também pela atmosfera de tranqüilidade e afastamento que se vive e sente , o insólito de uma ilha quase separada do mundo , onde a existência mantém o ritmo das estações”.

“O ondular das searas. O verde e púrpura dos vinhedos. As velas de moinhos esbracejando ao vento. O colorido das vindimas. O espelho de uma lagoa oculta nas profundezas da terra. A tranqüilidade da vida campestre. O néctar de vinhos deliciosos. Bucólicos atrativos da Graciosa que oferece , em fundos de dramática beleza , o arco-íris da vida submarina”.


Histórico da Freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe , de onde eram naturais Manoel Espíndola de Souza e sua mulher Catharina do Rosário :

A freguesia de Guadalupe foi criada em 1644 pela desagregação da metade sudoeste do então concelho de Santa Cruz da Graciosa (que repartia o território da ilha com o concelho da Vila da Praia), até ali constituído por uma única paróquia, a de Santa Cruz da Graciosa. De terrenos férteis, o território que constitui a freguesia foi povoado durante os primeiros anos do século XVI a partir de Santa Cruz da Graciosa, com dadas que constituíam courelas, isto é longas e estreitas fileiras de campos demarcados por paredes paralelas, irradiando de norte para sul, estrutura fundiária que ainda domina a paisagem local.
A riqueza dos terrenos levou a que Guadalupe se constituísse no centro de produção cerealífera da ilha, com os terrenos a serem adquiridos pelas principais famílias de Santa Cruz da Graciosa. Pode-se assim afirmar que todas as grandes casas de Santa Cruz da Graciosa tiveram a sua raiz fundiária nos campos de Guadalupe. Com uma população que em meados do século XIX ultrapassou os 3 000 habitantes, foi durante a maior parte da história da Graciosa a mais populosa freguesia da ilha, ultrapassando as duas vilas.
A freguesia de Guadalupe é constituída por uma aglomerado de lugares, com uma estrutura de povoamento que pode ser caracterizada como pertencente ao tipo disperso orientado, que leva a que cada uma das povoações se aglomere ao longo das principais vias, mas mantendo a sua identidade própria. É assim uma freguesia de estrutura multipolar, em que as populações tradicionalmente se mantinham isoladas no lugar de residência, com igrejas ou capelas próprias, escolas e irmandades do Divino Espírito Santo independentes das restantes. Assim, a freguesia é mais uma entidade administrativa do que uma entidade sociológica, já que os habitantes tendem a aderir ao seu lugar e não à freguesia como um todo.
Os principais lugares da freguesia são:

Guadalupe, o centro da freguesia e local onde se situa a igreja paroquial, localizada no coração da planície das Courelas, a zona de terrenos mais férteis da ilha e uma das mais abrigadas e aprazíveis, com ligação directa à vila de Santa Cruz da Graciosa, que dista apenas 3 km, e ponto de convergência da rede viária do noroeste e centro da ilha. Fazem parte deste núcleo urbano os lugares do Pontal, do Barro Branco (este último com escola própria até 2003) e Feteira, sitos ao longo do eixo viário que liga ao Guadalupe à freguesia da Luz, localmente conhecida como o Sul, pelo vale formada pelo horst da Serra das Fontes (a norte) e pela Serra Dormida (a sul).

Vitória, um povoado que ocupa o extremo noroeste da ilha, anichado entre os cones vulcânicos do Pico das Bichas e do Pico da Brasileira. A sua ermida, dedicada a Nossa Senhora da Vitória, foi construída por volta de 1623 em comemoração de uma vitória dos graciosenses após um desembarque de piratas da Barbária que ocorreu a 19 de Maio de 1623 no desembarcadouro de Afonso do Porto (hoje Porto Afonso). O lugar teve até recentemente duas escolas primárias, ambas oferta de locais que fizeram fortuna no Brasil de finais do século XIX.1 Para além da Ermida de Nossa Senhora da Vitória, o curato da Vitória, instituído em 1886, dispõe da Igreja de Santo António, construída entre 1904 e 1907 com a contribuição da comunidade emigrada no Brasil e na América do Norte. Existem dois impérios, o da Beira-Mar da Vitória (1918) e o de Santo António da Vitória (1914). Junto à igreja encontra-se um antigo dragoeiro, provavelmente uma das árvores mais antigas da ilha. O lugar de Terra do Conde, celebrizado pelo vinho homónimo, integra o povoado da Vitória.

Ribeirinha, um povoado situado na encosta norte da Serra Branca, entre os lugares de Brasileira e Almas. É constituído por três núcleos de povoamento, correspondentes às vias que ali convergem (os povoados de Manuel Gaspar, Esperança Velha e Ribeirinha), tendo no seu centro nos Poços, onde fica a igreja de Nossa Senhora da Esperança (nova), com o seu largo anexo, com coreto (inaugurado a 30 de Julho de 1967), império do Divino Espírito Santo e a antiga escola (encerrada em 2003). A Igreja de Nossa Senhora da Esperança, construída em 1847 e ampliada em 1898, recebeu recentemente grandes melhoramentos. A irmandade do Divino Espírito Santo construiu recentemente um salão de festas equipado com cozinha tradicional, onde se realizam convívios de idosos, funcionando como centro cívico da comunidade. No lugar da Esperança Velha um cruzeiro assinala a localização da primitiva igreja do século XVII.

Brasileira, uma pequena localidade localizada num vale sobranceiro ao mar entre o Pico da Brasileira e o Pico das Terças, constituindo o núcleo urbano menos estruturado da freguesia. Sem ermida própria e sem nunca ter tido escola, funciona como um prolongamento da Ribeirinha. Nesta lugar despenhou-se a 13 de Julho de 1929 o avião Amiot 123 "Marszalek Pilsudski" pilotado pelo major aviador polaco Ludwik Idzikowski, que faleceu no local. O avião perdeu-se durante uma das primeiras tentativas de atravessar o Atlântico de leste para oeste, partindo da França com destino a New York. O local é assinalado por um cruzeiro.

Almas é um povoado sito ao longo da via que liga Guadalupe às faldas da Serra Dormida. Teve escola própria (encerrada em 1993), tem a Ermida de São Miguel Arcanjo dedicada no século XVIII, e um império datado de 1963. No lugar do Tanque existe um interessante reservatório de água, com origens setecentistas, rodeado por um complexo de pias de lavagem de roupa, reflexo das graves dificuldades de abastecimento de água que se sentiram na ilha.

A igreja paroquial da freguesia situa-se no lugar de Guadalupe, o mais populoso e o mais próximo da vila de Santa Cruz da Graciosa. O nome do lugar, e da freguesia, tem origem numa ermida construída nas proximidades da actual igreja em meados do século XVI para albergar uma imagem trazida do México por Domingos Pires da Covilhã, um dos primeiros povoadores do lugar. O lugar foi erecto em paróquia no ano de 1602, com a invocação de Nossa Senhora de Guadalupe, autonomizando-se de Santa Cruz da Graciosa em 1644.
Os alicerces da actual igreja de Guadalupe foram começados a abrir a 15 de Maio de 1713, sendo a primeira pedra benzida a 22 de Maio daquele ano. Contudo, a igreja levou 43 anos a construir, já que a primeira missa apenas foi nela celebrada a 5 de Agosto de 1756. Esta inusitada demora deveu-se à grande crise sísmica de 1717, que provocou a destruição generalizada das casas da freguesia (e da vizinha freguesia da Luz), atrasando as obras e drenando recursos, já que os guadalupenses se viram a braços com a necessidade de reconstruir as suas casas.

A crise sísmica de 1717 deu origem a um voto popular, ainda hoje cumprido no dia 24 de Maio de cada ano, de realizar uma procissão, denominada a procissão dos abalos, com a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe entre a respectiva igreja e a ermida de Nossa Senhora d’Ajuda, no monte sobranceiro à vila de Santa Cruz da Graciosa, onde é celebrada missa, regressando depois o cortejo à igreja de Guadalupe. Esse voto deu origem a um feriado local, já que toda a ilha para na manhã do dia da procissão, que depois do terramoto de 1980 voltou a ganhar grande fervor popular.


Cap. I - Vital e Catarina

Vital de Bitencourt , natural da Ilha Graciosa , nascido pelos anos de 1690 , falecido antes de 1740 , foi casado com Catarina , deixaram , pelo menos , o filho Miguel Espínola de Souza , que segue no capítulo seguinte.

Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe da Ilha da Graciosa , Açores

A primitiva igreja desta freguesia foi fundada no século XVII pelo capitão Domingos Pires da Covilhã. De pequenas dimensões, foi decidida a construção de um novo templo, mais amplo, e em local acessível.
Autorizada a obra em 1713, os caboucos começaram a abrir-se no dia 15 de maio, tendo a primeira pedra sido colocada e benzida no dia 22. No dia 1 de setembro de 1754 começaram as obras do corpo da igreja. No dia 1 de agosto de 1756 foi benzida solenemente e, no dia 5, transladaram-se o Santíssimo Sacramento e as demais imagens do antigo templo. As obras foram custeadas pela população da freguesia, sendo grandemente animadas pelo padre João Ávila. A grande demora na sua edificação justifica-se pelas crises sísmicas ocorridas no período, com destaque para o grande terramoto de 1717.

Cap. II - Miguel e Antonia

Miguel Espínola de Souza , nascido pelos anos de 1720 , casou-se em 16/01/1740 , na Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, Matriz de Santa Cruz, Ilha Graciosa , com Antonia Picanço , filha de Antonio Correa de Ávila e de sua mulher Catarina Picanço. Deixaram , pelo menos , o filho Manoel de Espindola de Souza , que segue no capítulo seguinte.

Dos registros de casamentos de Guadalupe , Ilha Graciosa dos anos de 1717-1742 :

Miguel Esp.a de Sz com Ant.a Picanço

Em os dez seis dias do mes de Janeiro de mil e sette centos he quarenta /
sendo de tarde nesta Parochial Igreja de N. Sra de Guadalupe /
donde os contrahentes sam naturaes he fregueses ......... Matriz /
de Sta Cruz feitas as denunciacõens na forma do Conc. Trid. sem se /
descobrir impedimento algum dos contrahentes ............ /
mim Vigr.o desta dita Igreja ......... assinado de Manoel Espinola /
de Mello ..... M.el Bitancor de Avila e de outras testemunhas que pre /
sentes estavam , Se cazarão solemnemente por palavras de presente /
Miguel Espinola de Souza filho de Vital de Bitancor já defunto /
e de sua senhora D. Catharina , com Antonia Picanço de Silvestre /
..... filha de Antonio Correa de Avila já defunto e de sua mo / 
lher Catharina Picanço todos fregueses desta dita Parochial /
como ......... as testemunhas nomeadas e moradores no /
Caminho de George Gomes , he logo lhes dei as bençoens da Sta /
Madre Igreja de q.p.a constar faço este termo que assigno /
com as referidas testemunhas /
O Vigr.o Manoel Espinola
D. Alz  + Espinola de Mello
João + ..... Avila
(Sic)

Localização do povoado de George Gomes , onde foram moradores :

"Brasileira, um pequeno lugar situado num vale sobranceiro ao mar entre o Pico da Brasileira, Pico das Terças e o Pico das Caldeiras, constituindo o núcleo urbano menos estruturado da freguesia, inclui o lugar de Jorge Gomes . Sem ermida própria e sem nunca ter tido escola, funciona como um prolongamento da Ribeirinha".

Capítulo III – Manoel e Catharina

Manoel de Espíndola de Souza e s/m Catarina do Rosário (ou do Espírito Santo) , ambos nascidos por 1740 na Freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe da Ilha da Graciosa , Arquipélago dos Açores , Portugal. Foram moradores no povoado do Caminho de Jorge Gomes.
Sua mulher Catarina do Rosário , ou Catarina do Espírito Santo , era filha de Pedro Furtado de Mendonça e de sua mulher Catarina de Jesus ; neta paterna de Pedro Furtado e de Domingas ; neta materna de Manoel Correa e de Maria Sodré.

* Registros dos casados em Guadalupe (Ilha Graciosa) dos anos de 1742-1761 , imagem 0098. Página 165 verso :

http://culturacores.azores.gov.pt/biblioteca_digital/GRA-SC-GUADALUPE-C-1742-1761/GRA-SC-GUADALUPE-C-1742-1761_item1/P98.html

"Em os dez dias de fevereiro de mil sette centos e sessenta sendo / de manham nesta Parochial Igr.a de Nossa Senhora de Guada / lupe , de que os contrahentes sam naturaes e fregueses , nesta Ma / triz de Sta Cruz , feitas as denunciacoens q. manda o Sagrado / Concilio trentino , sem se descobrir impedim.to algúo aos contrahentes , salvo o de que forão despençados , em terceiro grao de consan / guinidade , por mandado do Rev.do Ouvidor desta Ilha q. fica no Archivo desta mesma Parochial , em presença do Rev.do Vigr.o de / ...... assinado de D.os Vieira de B.los homem cazado ,  Ma / noel Correa de Mello tambem cazado , e de outras mais tt.as [testemunhas] / q. presentes se achavam , Se cazarão solemnemente in facie Eclesie , por palavras de presente M.el Esp.a de Souza [Manoel Espindola de Souza] filho legitimo / de Miguel Esp.a de Souza [Miguel Espindola de Souza] e de sua molher Ant.a Picanço [Antonia Picanço] , com Catarina do Esp. Sto [Catarina do Espírito Santo , com apelido de adoção distinto] , filha legitima de Pedro Furtado / de M.ça [de Mendonça] e de sua molher Catherina de Jesus todos os sobre / dittos naturaes e fregueses desta predicta Parochial e / E moradores na cazada de Jorge Gomes , e logo lhes aplicou / o Revdo Banho as Bençoens da Sta Madre Igreja , de que para / constar fiz esta p. assignar o mesmo Parocho e testemunhas pre / sentes 
O Vgr.o Manoel Espindola
D. D.os + Vieira de B.....
M.el + Correa de Mello"
(Sic) 


Registro de casamento de Pedro Furtado de Mendonça com Caterina de Jesus , pais de Catarina do Rosário ou do Espírito Santo :

* Registros dos casados em Guadalupe (Ilha Graciosa) dos anos de 1717-1742 , imagem 0080 :


Pedro Furtado de Mça com Catharina Solteiros (?)

"Em os oito dias do mes de Março de mil sette centos trinta /
e quatro sendo de manhã nesta Parochia de N Sra de Guada /
lupe onde os contrahentes sam naturais e fregueses feita /
as denunciaçoens na forma do Sagrado Conc. Tridentino nesta /
ditta Igr.a sendo Matriz de Sta Cruz ..... sem descobrir im /
pedimento com presente .......... Vigr.o da /
ditta Igr.a sendo tambem presente Ant.o da Cunha /
.......... e M.a do ........ freguesia .......... /
......... conhecidos e cazados .............. /
de presente na face ......... Pedro Furtado de M.ça /
filho de Pedro Furtado "cologio" já defunto e de sua m.er D.as [Domingas] /
......... des "Algevanda" moradores no Conc. de Vittoria com Catha /
rina Martins ........ filha M.el Correa "aleijado" /
já defunto e de sua m.er [mulher] Maria Sodre moradores ...... /
.................... de George Gomes desta freg.a [freguesia] e logo ...... /
...... as bençaons conforme o Rito Romno ............. /
desta Igr.a para constar fiz este assento q. assigno /
com as tt.as [testemunhas] /
Vigr.o Paulo ........
......... + ....... Sodre ......"
(sic)

Manoel de Espínola de Souza e sua mulher Catarina vieram para o Brasil e foram moradores na Ilha de Santa Catarina , atual Florianópolis , onde nasceram , pelo menos , os filhos seguintes :

1) Manoel Antonio da Silva , único filho açoriano , nascido pelos anos de 1752 na Freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe da Ilha Graciosa do Arquipélago dos Açores cc Catharina do Rosário.

"Sebastiana
Aos nove dias do mes de Setembro de mil setecentos e no /
venta e dois annos nesta freguesia de Nossa Senhora das Ne /
cessidades Baptizei e puz os Santos oleos a Sebastiana /
nacida aos vinte e sete dias do mes de Agosto proximo /
filho legitimo de Manoel Antonio da Silva natu /
ral e baptizado na Freguesia de Nossa Senhora /
de Guadalupe da Ilha Graciosa do Bispado de An /
gra e de Maria Rosa de Jesus natural e baptizada nesta /
mesma Freguesia , neta pela parte paterna de Ma /
noel Espinola de Souza e de Catharina do Rosario am /
bos naturaes e baptizados na dita freguesia de /
Nossa Senhra de Guadalupe e pela parte materna de ..... /
natural e baptizado na Freguesia de Nossa Senhora da Candelaria  da Ilha do /
Pico do dito Bispado e de Maria dos Anjos natural e baptizada /
na dita freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe , forão padrinhos Se /
bastiam Chagas de Atayde e Anna ....... /
e moradores nesta mesma Freguesia , de que para constar /
mandei fazer este asento que asigno /
O Vigro Ant. o Tey.ra ......".

2) Francisco Jose de Espíndola , natural e batizado , por 1765 , na Freguesia do Desterro , atual centro da cidade de Florianópolis , cc Maria Joaquina de Jesus , natural e batizada na Freguesia de N. Sra das Necessidades da Ilha de Santa Catarina , atual bairro de Santo Antonio de Lisboa da cidade de Florianópolis , SC.

 "Aos vinte e cinco dias do mes de Mayo de mil setecentos e sincoenta e /
quatro annos nesta Matriz de Nossa Senhora do Desterro da Ilha de San /
ta Catharina bautizei e pus os Santos oleos a Francisco filho de Ma /
noel de Espinola e de sua mulher Catarina do Rozario ambos na /
turaes e bautizados na Matriz de Santa Cruz da Ilha Graciosa Bispa /
do de Angra e moradores no Rio dos Ratones ...... Forão padrinhos /
Francisco (Marino?)  e sua mulher Sebastiana de Espinola todos mo / 
radores no mesmo Rio dos Ratones dessa Ilha de Santa Catarina /
de que fis este termo 
O Vgro Ignacio Jose Galvão"

3) Joaquim Jose de Espíndola , nascido por 1765 , que segue

4) Antonio Manoel de Souza , natural da freguesia de Santo Antonio de Lisboa da Ilha de Santa Catarina cc Ana Rosa da Encarnação

Do livro de batismos de Santo Antonio de Lisboa , Ilha de Santa Catarina :

"Aos dezacete dias do mez de Abril de mil sette centos e noventa e hum annos , nesta Freguezia de Nossa Senhora das Necessidades , baptizei e puz os Santos Oleos a Bernarda , filha legitima de Francisco Jose de Espindola , natural e baptizado na Matriz do Desterro desta Ilha de Santa Catharina , e de Maria Joaquina de Jesuz natural e baptizada nesta mesma freguezia , neto por parte paterna de Manoel Espindola de Souza e Catharina do Rozario , pela parte materna de Matias de Souza e de Maria Roza da Incarnação , forão padrinhos Sebastião Fernandez e Maria Joaquina , solteiros , moradores nesta mesma Freguezia. De que para constar mandei fazer este assento que asigno.
O Vigario Antonio ...".


“Estava creada a capitania de Santa Catharina. Era necessário , agora , para desenvolvel-a , povoal-a convenientemente ; e para isto D. João V , consultou o Conselho Ultramarino , que em 8 de agosto de 1.746 dirigio a sua resposta ao rei.
Este , pela resolução de 31 do mesmo mez e anno , ordenou que fossem transportados das Ilhas dos Açores e Madeira quatro mil famílias , afim de povoar Santa Catharina e o continente de São Pedro”.(História Catharinense , por Cap.Tte. Lucas Alexandre Boiteux).


Cap. IV - Joaquim Jose de Espíndola no contexto da época

Nasceu e foi batizado , por 1765 , na Freguesia de Nossa Senhora das Necessidades da Ilha de Santa Catarina , atual bairro de Santo Antonio de Lisboa da cidade de Florianópolis , SC.

“Foi a freguesia de Santo Antônio criada sob o título de N. Sra. das Necessidades , em 27 de abril de 1750. Citada as vezes simplesmente pelo nome de Necessidades , prevaleceu o de Santo Antônio”.Diz o informe de 1765 : "Do vigário da Igreja da Lagoa não poderei dar informações pois não o conheço. Do das Necessidades , a quem chamam por Padre Domingos Pereira Telles , sim. Este clérigo , já na sua terra de origem , que é a Ilha do Pico [Açores] , sempre foi um revoltado. Não tem religião nenhuma e nem a conhece. É soberbíssimo , sacrílego , blasfemo e de péssima consciência. Jamais se viu em homem daquele estado algum temor a Deus e de suas leis humanas e a todas as luzes tão escandaloso e atrevido".O Visitador apostólico Pe. Bento Cortes de Toledo , nomeado em 5-11-1798 , deixou no seu Relatório, a informação seguinte : "Tem esta freguesia de N. Sra. das Necessidades 2.392 almas de confissão e comunhão. Foi ereta em 1755. Tem esta Matriz 3 Irmandades : do Santíssimo , de N. Senhora e Almas sem compromissos" (Arquivo da Arquidiocese do RJ).“1753 - Parte da Ilha duas Sumacas com destino ao Rio Grande do Sul com 250 colonos a bordo. Um pampeiro jogou as duas Sumacas contra os Penedos da barra do sul junto a ilha de Araçatuba . Deste desastre somente 77 colonos sobreviveram. Desde então aquela ponta ficou conhecida como Naufragados”.“1776 - O Rei de Castela Carlos III , Monta uma Grande esquadra de Guerra e dá o comando a Dom Pedro Cevallos Cortez y Calderon”.

“1777 - A 17 de fevereiro estava próximo a Ilha a frota portuguesa comandada pelo Irlandes Robert Mac Douall. Mas retirou-se da Ilha assim que teve noticias da frota espanhola, foi se esconder na Enseada de Garoupas, mais precisamente no Caixa d'Aço. Pois a ordem do Marquês de Lavradio era para não arriscar nenhum navio da frota Portuguesa em combate com os Espanhóis. Assim que os navios Espanhóis deixaram de procurar a frota Portuguesa, ela saiu de seu esconderijo e rumou para o Rio de Janeiro.
1777 - Quando a sentinela do Forte Santa Cruz olhou para Canasvieira levou um susto, saiu correndo para avisar seu comandante (Miguel Gonçalves Leão). A enseada de Canasvieiras fervilhava de velas (navios) e não eram portuguesas.
1777 - Chega a Ilha a Frota espanhola montada por Carlos III e comandada pelo general Cevallos , coisa jamais vista ate então.
1777 - Nos dias 23 e 24 efetuou-se o desembarque das tropas na praia de Canasvieiras. Não teve a menor dificuldade pois o Fortim de São Caetano estava abandonado pelas tropas, que foram refugiar-se no Forte São José, sem disparar um único tiro.
1777 - As 4 horas da manhã do dia 24 dirigiram-se para tomar o forte São José e ao amanhecer é que se viu que o Forte estava abandonado, completamente vazio, seu comandante Capitão Simão Rodrigues Proença , tinha abandonado o forte antes que o inimigo lhe cortasse a retirada.
1777 - O povo começa a abandonar a Ilha pois o inimigo está cada dia mais perto e não se vê combate.
1777 - Dia 24 o Conselho de Oficiais resolve evacuar a Ilha e sai em uma disparada desordenada, mandando o Regimento Barriga Verde para o combate em Santo Antônio de Lisboa , onde Ficaram entrincheirados por muito tempo.
1777 - Dia 25 Cevallos pessoalmente toma posse do Forte São José. Ao anoitecer as Fragatas Vênus e Lebre , mais duas bombardeiras se postaram em frente ao Forte Santa Cruz, intimando-o a uma rendição.
1777 - Dia 27, Cevallos apodera-se da Ilha. O coronel Fernando da Gama Lobo quebra a haste da bandeira de seu regimento para não ver uma outra bandeira naquele mastro. O alferes José Correia da Silva, do regimento de Pernambuco, enrola a bandeira do seu regimento em seu próprio corpo e foge mato a dentro.
1777 - Com a invasão espanhola, nosso Regimento de Infantaria de linha , desloca-se para Santo Antônio de Lisboa , sob o comando de Fernando Gama Lobo Coelho com 337 homens.
1778 - A Ilha é devolvida aos Portugueses pelo então governador da Ilha o espanhol Guilherme Waugham, e é recebida pelo Coronel Francisco da Veiga Cabral da Câmara , do regimento da Bahia.


Por 1785 , Joaquim Jose de Espíndola casou-se com Joaquina Rosa de Jesus , natural da Freguesia de Nossa Senhora das Necessidades da Ilha de Santa Catharina , ou Santo Antonio de Lisboa , filha de Manoel Pereira Garcia e de s/m Ana Trindade , ambos naturais da Ilha do Pico do Arquipélago dos Açores.

“É a Ilha Columbi , ou Ilha das Pombas , que passou a denominar-se Ilha do Pico , nome que lhe vem por nela haver a mais alta montanha de todas as do Açores”.

Joaquim Jose de Espíndola e s/m Joaquina Rosa de Jesus tiveram , pelo menos , os seguintes filhos :

1) Antonio Joaquim de Espíndola , nascido por 1785.

“Em 4/11/1804 , nesta Matriz do Desterro da Ilha de Santa Catharina , casam-se Antonio , filho de Joaquim de Espindola e de Joaquina Roza ; e Justina , filha de Francisco Antonio Correa e de Anna Maria , naturaes desta Matriz.
O Coadjutor Joaquim de S. Anna Campos”.


2) Eufrásia Joaquina Rosa , nascida em 1793 , que segue

Cap. V – Eufrásia Joaquina Rosa

Batizado de Eufrásia aos 29/12/1793 na Freguesia de Nossa Senhora das Necessidades , ou Freguesia de Santo Antonio de Lisboa :

“Eufrazia
Aos vinte e nove dias dias do mez de Dezembro de mil sette centos e noventa e trez annos , nesta Freguezia de Nossa Senhora das Necessidades , baptizei e puz os Santos Oleos a Eufrazia , filha legitima de Joaquim Jose de Espindola e de Joaquina Roza da Encarnação , ambos naturaes e baptizados nesta mesma freguezia , nepta pela parte paterna de Manoel de Espindola de Souza e de Catharina do Rosario naturaes da Ilha Graciosa , e pela parte materna de Manoel Pereira Garcia e de Anna Trindade naturaes da Ilha do Pico. Forão padrinhos Ignacio Antonio , solteiro e Francisca Antonia taobem (sic) solteira , de que para constar fiz este assento que assigno.
O Vig.ro Antonio Teix.ra Alves de S.za”.


Seus avós maternos , Manoel Pereira Garcia e Ana Trindade , eram naturais da  freguesia de Nossa Senhora da Candelária , Ilha do Pico , Açores , conforme registros de seus filhos.

Santo Antonio de Lisboa e sua Igreja :

“A localidade de Santo Antônio de Lisboa é uma das três mais antigas da Ilha de Santa Catarina, e mantém ainda hoje um dos conjuntos arquitetônicos mais representativos da fase de colonização do nosso litoral. Destaca-se a Igreja Nossa Senhora das Necessidades.
É uma das mais belas construções religiosas de origem portuguesa no litoral catarinense. Foi criada por Provisão Episcopal em 26/11/1751, sendo a data de sua construção incerta. Os historiadores indicam o ano de 1750 como o marco inicial da sua construção, e 1756 como término.
Em 1845 , a Freguesia de Santo Antônio de Lisboa recebeu a visita oficial do Imperador D. Pedro II, acompanhado pela Imperatriz Thereza Christina. Nesta oportunidade as autoridades imperiais estiveram na igreja local, concedendo donativos à mesma, assim como à Freguesia.
Segundo os moldes das primeiras igrejas brasileiras, a de Santo Antônio de Lisboa apresenta uma fachada simples, ao contrário de seu interior, que apresenta elementos artísticos integrados ao arquitetônico, formado por uma belíssima talha característica do período de transição entre o barroco e o rococó.
A nave é constituída pelos altares do cruzeiro, sendo o do lado esquerdo dedicado à São Miguel Arcanjo, e o do lado direito, dedicado originalmente à Santo Antônio, hoje encontra-se ocupado pelo Sagrado Coração de Jesus; pelo púlpito; pelo batistério situado ao lado do evangelho; pelo coro; pela pia de água benta e pelo cancelo, composto por uma balaustrada de madeira torneada e talhada.
A Capela do Santíssimo é composta por um altar e pela porta de acesso em talha. A Sacristia possui um lavatório em mármore e um arcaz em madeira”.


“Freguezia da Nossa Senhora das Necessidades ou Santo Antonio - Freguezia da Ilha e provincia de Santa Catharina , cousa de duas legoas ao norte da cidade do Desterro , na Praia Comprida , que offerece optimos pontos de vista.
Teve esta povoação , por largos annos , o nome de Santo Antonio , que trocou pelo de Necessidades, como é vulgarmente conhecida , depois que sua igreja foi dedicada à Senhora desta invocação.
Fez a dita igreja as vezes de parochia desde o anno de 1.750, e alcançou o titulo cinco ou seis annos depois por diligencias do governador D. Jose de Mello Manoel.
Em 1.832 , creou-se a final nella uma escola de primeiras lettras. Seu termo encerra obra de trinta fabricas de distillação d'aguardente e 3.000 habitantes , lavradores de cannas , de milho , linho , mandioca e hortaliças , de cujas sementes abastecem a capital do Imperio , bem como dos productos de suas destillações”. (Diccionario Geographico , Historico e Descriptivo do Imperio do Brazil de Milliet de Saint Adolphe - Edição de 1.845).


Por Augustin François César Provençal de Saint Hilaire , dito "Auguste de Saint Hilaire" :

"Cidade do Desterro em 1820

A população da Ilha de Santa Catharina e mesmo de toda a provincia , é , na sua maioria , originária das ilhas dos Açores. O número de negros é , como já tive occasião de dizer , muito pequeno e o de mulatos ainda menor.
Os homens são de estatura meã e geralmente magros , e os do campo , de tez amorenada. A mor parte destes e dos citadinos , nascidos na Ilha , têm as arcadas zygométricas e muito pronunciadas , mas , o seu rosto estreito , o nariz alongado e o seu cabello fino provam fartamente que elles não são productos de mestiçagem de sangue índio com sangue caucásico.
As mulheres são muito claras , possuem bellos olhos , cabellos negros e tez rosada. Ellas não se escondem dos homens e correspondem às suas saudações que se lhes fazem.
Já tive o ensejo de alludir à rigidez das mulheres do interior ; essas , na rua , caminham lentamente , umas atráz das outras , sem voltar a cabeça para a direita ou para a esquerda e sem fazer o menor movimento. As da Ilha de Santa Catharina são desembaraçadas e , às vezes , graciosas.
Como em Minas Geraes , muito raramente vão às lojas fazer compras , quando , porêm , saem à rua , em grupos , andam sempre umas ao lado das outras e não se acanham em tomar o braço dos homens e ir para os arrebaldes , a passeio.
Não usam capas nem mantilhas e trajam com mais decência e com mais gosto do que as mulheres do interior.
As mulheres mais ricas da cidade acompanham a moda do Rio de Janeiro , que é a mesma da França. As mulheres do campo , que não trabalhão fóra de casa e em nada se parecem com as nossas camponezas , não andam , como as de Minas Geraes , com as espáduas e o peito descobertos ; todas sem exceção , usam vestidos de indiana ou de mussoline e chale de seda ou de algodão, e prendem com um pente os cabellos ao alto da cabeça , ornamentando-os com flores naturaes.
Durante a semana andam de chinellos , aos domingos , porêm , calçam meias e nos dias de festa são raríssimas as que vão à missa sem sapatos de damasco. Engana-se , entretanto , quem supponha que esse luxo seja indício de riqueza ou , pelo menos , de bem estar.
Essas mulheres , na verdade , ganham algum dinheiro com o producto do seu trabalho , a qualquer hora do dia que se passe pelas casas , ouve-se baterem o algodão.
Ellas fiam e tecem , mas empregam o que ganham na satisfacção do seu gosto pelo vestuário e pelos enfeites.
Dest'arte , grande número de famílias de lavradores , vive na miséria e alimenta-se exclusivamente de farinha de mandioca , de peixe cosido na água e de laranjas , fructas abundantes na Ilha , que nenhum proprietário se dá ao incômmodo de prohibir que os transeuntes as colham de suas árvores.
Os homens mais abastados da cidade vestem-se bem , quanto aos do campo , trajam-se em completo desaccôrdo com o luxo de suas mulheres , em todo o caso , melhor que os habitantes de Guaratuba e de São Francisco.
Usam comumente sapatos e chapéus de feltro , calças de tecido de algodão e véstia muito limpa de indiana ou de panno grosso.
Os que pertencem à milícia deixam crescer a barba.
As mulheres da Ilha de Santa Catharina têm no lar uma autoridade de que não gozam as do interior. Os maridos e os amantes , privam-se de tudo em favor de suas esposas ou de suas concubinas , e em nenhuma parte existe , como alí , tão grande disparidade entre a toillete das mulheres e a dos homens , ou o mobiliário das casas.
Nos domingos e dias de festa , tem-se a impressão de que são todas as moradoras dos arredores da cidade , são donas , ao passo que os maridos , pela maneira de trajar , mais se parecem criados de suas mulheres”.


Cap. VI – Partida de Eufrásia da Ilha de Santa Catarina

Aos 13/08/1809 , Eufrásia Joaquina Rosa casou-se na Matriz de Nossa Senhora do Desterro (Florianópolis) , SC , com Manoel Francisco Barbosa Sandoval , nascido em São Gonçalo do Sapucaí , MG , em 1790 , filho de Francisco Barbosa Sandoval e de s/m Maria Antonia da Conceição , cuja família está descrita no seguinte Blog :
http://rlavodnas.blogspot.com/

Por 1810 , nasce seu filho Manoel Francisco Barbosa Júnior , casando-se aos 28/04/1832 em Porto Alegre , RS , com Cândida de Souza Marques , que deixaram , pelo menos , os filhos : Maria , nascida em Porto Alegre em 1832 ; Manoel , nascido em Rio Pardo , RS , em 1834 ; Joaquim , nascido na legendária Lapa , PR , em 1840 e Eufrásio , nascido na Lapa , PR , em 1844.

Por 1812 , nasce sua filha Brígida Maria da Conceição em Gravataí , RS. Casou-se , aos 20/12/1828 , em Porto Alegre , RS , com Manoel Jose Coelho Barbosa.

Por 1812 , ou antes , Eufrásia e Manoel Francisco Barbosa Sandoval já se encontravam em Santo Antonio da Patrulha , Rio Grande do Sul , onde nasceu a filha Maria aos 16/06/1814.

“Maria - Aos vinte e cinco dias do mes de Junho de mil oitocentos e quatorze , nesta freguezia de Santo Antonio da Patrulha , baptizei e pus os Santos Oleos a Maria , filha legitima de Manoel Barboza e de Eufrazia Joaquina , naturais da Ilha de Sta Catarina , neta pela parte paterna de Francisco Barboza e de Maria Antonia , e pela parte materna de Joaquim de Espindola e de Joaquina Rosa , nasceu aos dezesseis do dito. Foram padrinhos João Ignacio e Bernarda Joaquina , do que mandei escrever este termo que por verdade assignei.
O Vigr.o Jose de Rezende Novaes”.


Por 1818 , nasceu seu filho Jose Francisco Barbosa Sandoval em Porto Alegre , RS , cujo registro de batismo não foi localizado. No casamento de Jose Francisco ele declarou ser natural e batizado em Porto Alegre , RS.

“Aos dezenove de abril de mil oitocentos e quarenta e hum annos , feitas as trez admoestações Canônicas , sem impedimento , com Provisão da Vara , pelas onze horas da manham em minha presença e das testemunhas abaixo assignadas , se receberão por marido e mulher , Jose Barbosa Sandoval , filho legítimo de Manoel Francisco Barbosa e Eufrazia Joaquina Rosa , nascido , baptizado na cidade de Porto Alegre do Sul ; e Anna Joaquina Moreira , filha legítima de Jose Alves Moreira e de Magdalena Maria de Jesuz , nascida , baptizada nesta Freguezia , onde ambos os contrahentes são moradores. E logo receberão as Bençãos Nupciaes.
Vig. Jose Barbosa do Nascimento.
Testemunhas : Antonio Barbosa Menezes e Joze Theodoro da Fonceca”. (Do Arquivo da Cúria de São João da Boa Vista , SP).


Em 1820 , aos 18 de Agosto , nasceu a filha Ludovina em Santo Antonio da Patrulha , RS , em cujo registro de seu batizado , o padre tomou todas e trocou vários nomes.

“Aos vinte e hum do mes de Novembro de mil oito centos e vinte nesta Igreja Matriz da Villa de Santo Antonio da Patrulha baptizei sollemnemente e pus os Santos Olleos a Ludovina que nasceo aos desoito do mes de Agosto do corrente filha de Legitima de Manoel Barbosa natural de Villa Rica e Maria Rosa Joaquina (!) natural da Ilha de Santa Catharina. Netto pella parte paterna de Francisco de tal e Ant.a Maria (!) .............. pella parte materna Francisco (!) ......... Vieira e Rosa Joaquina.(!)
Forão padrinhos ......... Antonio ......... e Maria Ignacia e para constar fiz este termo que assignei.
Jose Bernardo ................ Coadjutor”.


Em 1822 , aos 30/11/1822 , nasceu a filha Felisbina em Santo Antonio da Patrulha , RS, conforme Batch Number C035803.

Em 1823 , nasceu a filha Delfina , batizada na Matriz de Porto Alegre , RS.

“Aos quatro dias do mez de Agosto de mil oito centos vinte e trez annos nesta Matriz de Nossa Senhora Madre de Deos de Porto Alegre , baptizou solemnemente o Reverendo Coadjutor Ignacio Soares Vianna , e poz os Sanctos Oleos a Delfina nascida aos vinte dias do mez de Julho deste anno , filha legitima de Manoel Barbosa , natural da Provincia de Minas , Bispado de Villa Rica e de Eufrazia Joaquina Rosa , natural da Ilha de Sancta Catharina , neta paterna de Francisco Barbosa e de Maria Antonia , naturaes do mesmo Bispado de Marianna , neta materna de Joaquim Espindola e Joaquina Roza , naturaes da Ilha de Sancta Catharina.
Forão padrinhos Jose Caetano Ferraz e sua mulher Delfina Fausta d'Almeida.
E para constar fis este assento.
Thome Luiz de Souza.
Vig.o Ecomm.do”.


Em 1825 , nasceu a filha Maria , batizada na Matriz de Porto Alegre , RS. Faleceu em 9/01/1826 em Porto Alegre , RS

“Aos vinte e quatro dias do mez de Abril de mil oito centos e vinte e cinco , baptizou solemnemente o Reverendo Coadjutor Francisco de Paula ...... e poz os Sanctos Oleos a Maria nascida a cinco de Março proximo , filha legitima de Manoel Francisco Barbosa , natural de Minas e de Eufrazia Joaquina Roza natural da Ilha de Sancta Catharina , neta paterna de Francisco Barboza e Maria Antonia , naturaes de Minas , e neta materna de Joaquim Jose Espindola e Joaquina Roza , naturaes de Sancta Catharina.
Forão padrinhos Joaquim da Silva e Felicidade Perpetua e para constar mandei fazer este assento que assignei”.


Em 1827 , nasceu o filho Gaspar , batizado na Matriz de Porto Alegre , RS. Faleceu em 15/08/1828 em Porto Alegre , RS.

“Aos dezessete dias do mez de Maio de mil oitocentos vinte e sette annos , nesta Matriz de N. Senhora Madre de Deos , baptizou solemnemente o Reverendo Francisco de Paula .......... e pôz os Santos Oleos a Gaspar , nascido a 4 de Março deste anno , filho legitimo de Manoel Francisco Barboza , natural de Minas Geraes , e de Eufrazia Joaquina Roza natural da Ilha de Sancta Catharina , neto paterno de Francisco Barboza e Maria Antonia , naturaes de Minas Geraes ; e materno de Joaquim Espinola e Joaquina Rosa , naturaes da Ilha de Sancta Catharina : forão padrinhos Gaspar Frois da Silva e sua mulher Felicidade Perpetua da Silva. E para constar fiz este assento.
Thome Luiz de Souza
Vig. Encomm.do”.


Em 1828 , nasceu o filho Eufrásio , batizado na Matriz de Porto Alegre , RS.

“Aos sete dias do mez de Janeiro de mil oitocentos e vinte e nove annos , nesta Matriz de Nossa Senhora Madre de Deos , baptizou solemnemente e pôz os Sanctos Oleos o Reverendo Coadjutor Francisco da Paula Baptista a Eufrazio , nascido a desessete de Novembro do anno proximo passado , filho legitimo de Manoel Francisco Barbosa e de Maria Antonia da Conceição , digo , filho legitimo de Manoel Francisco Barbosa , natural de Minas Geraes , e de Eufrazia Joaquina Rosa , natural da Ilha de Sancta Catharina , neto paterno de Francisco Barbosa , e de Maria Antonia da Conceição , naturaes de Minas Geraes ; avos maternos Joaquim de Espindola e de Joaquina Rosa , naturaes de Sancta Catharina , forão Padrinhos o Tenente Jose Carvalho Bernardes e sua mulher Dona Maria Delfina Soares de Mendonça.
E para constar mandei faser este assento , que assignei.
O Par.o Antonio Vieira de .....”.


Creio que este Eufrásio tenha sido o mesmo que foi morador na Freguesia do Campo Mystico (atual Bueno Brandão , MG) , antiga povoação das Antas , pertencente ao município de Jaguary , Minas Gerais , e distando 9 leguas de Pouso Alegre e 15 leguas de Campanha , constava , dentre os eleitores , um de nome Eufrazio Jose Barbosa Sandoval. (Almanak Sul Mineiro , editado em 1.874).
Dos registros de casamentos de Bueno Brandão :

"Eufrasio e Thereza
No dia vinte e oito dAbril de mil e oitocentos e setenta / e tres receberão-se em Matrimonio Eufrasio Jose Bar/bosa Sandoval e Thereza Maria de Jesus , depois de / ambos os contrahentes terem saptisfeito todos os / preceitos canonicos , foram testemunhas presentes / Manoel Luis Rodrigues , Joaquim Luis Baptista.
O Vigr.o Zeferino Brito Rodrigues Vieira"


Em 1831 , nasceu a filha Ana , batizada na Matriz de Porto Alegre , RS.

“Aos dezoito dias do mez de Julho de mil oitocentos trinta e hum annos , nesta Matriz de Nossa Senhora Madre de Deos de Porto Alegre , baptizei solemnemente e puz os Sanctos Oleos a Anna , nascida a trinta de Janeiro deste anno , filha legitima de Manoel Francisco Barboza , natural de Minas Geraes , e de Eufrazia Joaquina Roza , natural de Sancta Catharina.
Neta por parte paterna de Francisco Barbosa Sandoval e de Maria Antonia da Conceição , naturaes de Minas Geraes. E pela parte materna de Joaquim de Espindola , e Joaquina Rosa de Jesus , naturaes da Ilha de Sancta Catharina. Forão padrinhos Jose Caetano Ferraz , e Dona Josefa Henriqueta da Silva.
E para constar , mandei fazer este assento , que assignei.
O Coadjutor Orestes Roiz d'Araujo”.


Finalmente , nasceu a filha Maria , nascida em 1º de Maio de 1834 e batizada aos 7/06/1834 na Igreja Nossa Senhora do Rosário da Vila de Rio Pardo , Rio Grande do Sul.

“Aos sete dias do mes de Junho de mil oito centos e trinta e quatro annos nesta Matriz da Villa do Rio Pardo , Baptizei solemnemente a inoscente Maria , nascida no primeiro do passado , filha legitima de Manoel Francisco Barbosa natural de Minas e de Donna Eufrazia Joaquina Rosa natural de Santo Antonio termo de Sancta Catharina. Neta Paterna de Francisco Barbosa Sandoval e de Maria Antonia da Conceição ambos naturais de Minas. Neta Materna de Joaquim de Espindola e de Joaquina Rosa ambos naturaes da Cidade do Desterro e forão Padrinhos Nossa Senhora do Rosario e Antonio Jose Porto , de que para constar fiz este assento que assignei.
O Coadj. Antonio Alvares Ferr.a”. (Colaboração de Sílvia Buttros).


Cap. VII – O Retorno a Minas Gerais

Em 7/06/1834 , foi o último registro que localizei dos filhos de Eufrásia e Manoel Francisco Barbosa Sandoval.
Em 1835 , iniciou-se a Guerra dos Farrapos.
Depois de 25 anos de casados e de muitas andanças pelo sul do Brasil , Manoel Francisco Barbosa Sandoval , sua esposa Eufrazia e seus filhos retornaram a Minas Gerais , onde viveram em Paraisópolis , MG.
Manoel Francisco viveu o restante de sua vida pela região de Pouso Alegre , Paraisópolis , MG , onde faleceu aos 25/08/1866 , viúvo , aos 76 anos de idade.
Eufrazia Joaquina Rosa também faleceu em Paraisópolis , MG em 22 junho de 1862.
Sua filha Ana Eufrásia também viveu na mesma localidade de Pouso Alegre , MG.
O filho Jose Francisco Barbosa Sandoval viveu em Caconde , onde casou-se com Ana Alves Moreira aos 19/04/1841 e por lá faleceu em 1º de Setembro de 1854.O filho Eufrásio , creio eu tenha vivido no Campo Místico , atual Bueno Brandão , MG.

Em recentes pesquisas através da Cúria de Pouso Alegre , MG , vi que no Processo de Dispensa Matrimonial da filha Anna Eufrásia , aberto em dezembro de 1840 , a mesma Anna Eufrásia declara que é moradora naquela mesma Vila de Pouso Alegre e que vive com seus pais ! , isto significa que sua mãe Eufrásia Joaquina Rosa era viva , tendo seguido com sua família do Rio Grande do Sul à Pouso Alegre em MG. [ainda em pesquisas]

Mais recentemente foi localizado o óbito de Eufrazia em Paraisópolis , MG :

"Eufrazia

Aos vinte e dous de Junho de hum mil oitocentos e sescenta e dous nesta Fraguezia no semiterio foi
sepultada Eufrazia , mulher de Manoel Barbosa Sandoval e de idade de 60 anos [na realidade já possuía 69 anos] foi envolta em pano preto , morreu de estupor.
O Vigr.o  Fran.co de Paula Toledo"
(Livro 1 da Paróquia de São José , folha 47 , de 2 de Junho 1862 - Paraisópolis , MG)



A família de Jose Francisco Barbosa Sandoval encontra-se descrita no Blog :
http://rlavodnas.blogspot.com/

E a família de sua mulher Ana Alves Moreira encontra-se descrita nos Blogs :

http://coura-ibitipoca.blogspot.com/
http://saomiguel-carrancas.blogspot.com/
http://longos-sjdr.blogspot.com/
http://moscosobarbacena.blogspot.com/

Colaboradores :

Arquivo da Cúria de Porto Alegre
   Arquivo da Cúria de Florianópolis
      Arquivo da Cúria de Pouso Alegre
         Fernando Silveira http://ilhasc.blogspot.com.br/
            Neps 

[em construção]

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